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Novidades 1 minuto 19 Maio 2021

Comida Afetiva

Conforto e boas lembranças a cada garfada

#guiamichelinbrasil

Todos nós temos um jeito próprio de lidar com os desafios que 2020 nos trouxe. É durante momentos como esse que todos nós precisamos procurar meios de alento e, para muitos, nada conforta mais que a comida favorita.

A comida afetiva pode ser o equivalente culinário a um cobertor quentinho e um sofá, numa triste tarde de domingo. É algo familiar e reconfortante; algo que nos empresta uma palpável sensação de bem-estar. Muitas vezes, é um prato que nos lembra a segurança e a proteção da infância, o amor pela família ou a importância da amizade. Ele pode evocar memórias de refeições compartilhadas, entes queridos e eventos felizes, tudo ao mesmo tempo.

Em tempos de incertezas, preocupações e dúvidas, o desconhecido ou o desafiador não são nada tentadores. Poucos de nós, por exemplo, têm vontade de assistir a filmes provocadores e legendados com temas distópicos e subtextos alegóricos. Não, nós só queremos assistir a “Sete Homens e um Destino” em loop, em nossas calças confortáveis, enquanto tomamos sorvete como um adolescente apaixonado. Enquanto o noticiário da noite tenta nos mandar para a cama para ter pesadelos, todos preferimos ficar com o “Bake Off” e “Strictly” (realities de confeitaria e dança), muito obrigado.

Veja bem, o que é conforto para uma pessoa pode ser infelicidade para outra. Durante anos, não consegui encarar um bolinho de bacalhau, graças a uma versão aterrorizante que uma vez provei quando criança, próximo à casa do meu amigo Billy.

Então, qual seria a comida afetiva favorita do país? Certamente frango assado estaria entre os três primeiros lugares, porque não só é ótimo de comer, mas o aroma de um assado é uma alegria por si só.


Comece comprando o frango da melhor qualidade que puder, de preferência orgânico – você certamente sentirá a diferença na qualidade. Retire-o da geladeira cerca de uma hora antes de assá-lo, para que esteja em temperatura ambiente quando for ao forno. Tempere por dentro e por fora e espalhe manteiga -- tudo fica melhor com manteiga. Coloque as pontas das asas para a frente e, se você for hábil com barbante, amarre-o. Comece em uma temperatura alta para obter uma pele crocante e depois abaixe-a e lembre-se de regá-lo regularmente. Por fim, deixe descansando ao sair do forno -- para que retenha e redistribua toda a umidade e fique mais fácil de cortar.

Todo mundo tem seus métodos, seus segredinhos. Depois de espremer um limão por cima, Simon Hopkinson coloca as metades do limão nas cavidades; ou você pode usar limões em conserva como Yotam Ottolenghi. Tom Kerridge adiciona um pouco de xarope de bordo, cominho e pimenta-caiena, enquanto Thomas Keller assa seu frango sem qualquer gordura adicional. Você pode finalizar com muito manjericão, como Nigel Slater, ou recheá-lo com grão-de-bico, como Gordon Ramsay. Se você está se sentindo mais aventureiro, pode incorporar o Heston Blumenthal, salgando e escaldando primeiro. Mas lembre-se: como cozinheiro, você pode comer as melhores partes sozinho.

Enquanto lembramos das refeições em restaurantes nos últimos meses e começamos a planejar as que teremos quando tudo isso acabar, vamos nos envolver no conforto da comida afetiva. E, enquanto comemos nosso frango, vamos brindar por todos da indústria da hotelaria que nos oferecem tanto conforto e alegria.

Escrito pela equipe editorial do Guia MICHELIN do Reino Unido (UK)

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