A chef Helena Rizzo fez do seu restaurante paulistano, o Maní, um símbolo da cozinha contemporânea na cidade. Quando abriu as portas, no já longínquo ano de 2006, a casa trouxe para São Paulo o auge da cocina tecnoemocional espanhola, servindo receitas com esferificações, espumas e técnicas ainda inéditas na metrópole.
Helena passou por trabalhos como modelo, garçonete e cozinheira de eventos até que uma refeição no El Celler de Can Roca, na Espanha, mudou o rumo da sua vida e lhe revelou que a cozinha podia ser muito mais. Depois de ganhar experiência em restaurantes europeus, voltou ao Brasil e abriu o Maní, onde desenvolve uma culinária contemporânea, artística e profundamente conectada aos ingredientes brasileiros.
Hoje, ao seu lado no comando da cozinha, está o chef belga Willem Vandeven, que chegou ao estabelecimento em 2017, após passar pelo renomado Hof van Cleve - Floris Van Der Veken. A dupla compartilha a mesma visão: valorizar os sabores profundos e a diversidade da gastronomia brasileira a partir de criações sofisticadas que unem técnica, memória e ingredientes icônicos do país.
Ao longo dos anos, o Maní se consolidou como uma casa querida pelos paulistanos, e Helena ampliou seu trabalho na cidade com espaços mais casuais, como o Manioca — reconhecido com o Bib Gourmand —, com três endereços e referência em cozinha despretensiosa de qualidade, além da Padoca do Maní, sua interpretação das tradicionais padarias paulistanas — uma autêntica paixão local —, onde serve pães de fermentação natural, bolos e cafés da manhã caprichados.
Nos últimos anos, Helena divide o trabalho nas cozinhas dos seus restaurantes com o tempo dedicado às câmeras. Desde 2021, ela é uma das juradas do MasterChef Brasil, programa no ar desde 2014, onde compartilha a bancada — e as análises dos pratos dos participantes — com os colegas Erick Jacquin e Henrique Fogaça.
“Não tenho saído muito para comer fora, porque passo mais de seis meses por ano gravando: a semana inteira, de manhã até o fim da tarde”, diz a chef. “Quando saio, costumo ir a lugares simples”, conta. Ainda assim, durante nossa conversa, Helena compartilhou alguns de seus endereços gastronômicos favoritos em São Paulo. Acompanhe abaixo todas as dicas da chef.
Mapa dos lugares gastronômicos favoritos da chef Helena Rizzo em São Paulo.
Tuju e Evvai: dos fine dining que encantam a chef
Entre os restaurantes de alta cozinha visitados mais recentemente pela chef estão o Tuju e o Evvai, que, por coincidência, é quase vizinho do Maní. Sobre o primeiro, Helena destaca o trabalho de investigação que levou este estabelecimento, detentor de duas Estrelas MICHELIN, a se tornar um dos mais respeitados na cidade. “O Ivan [Ralston, chef do restaurante] tem feito um trabalho de pesquisa de ingredientes muito legal que, unido a uma técnica muito apurada, resulta em belos menus”, diz.Sobre o Evvai, restaurante com duas Estrelas MICHELIN que presta homenagem aos descendentes italianos com uma cozinha oriundi moderna, ela ressalta as características do chef Luiz Filipe Souza. “A criatividade e o humor do Luiz Filipe marcam todo o menu, muito sensorial. E me chama bastante atenção também o primor no atendimento”, destaca.
Aiô: para descobrir a cozinha de Taiwan
O Aiô se firmou como um dos restaurantes mais interessantes da nova cena asiática paulistana — e é um dos preferidos de Helena Rizzo. A casa apresenta uma leitura contemporânea da culinária taiwanesa, misturando referências internacionais e sabores surpreendentes. O menu é dinâmico, sem divisão rígida entre entradas e pratos principais, e foi pensado para ser compartilhado. “Adoro a proposta de terem um menu curto, que muda constantemente. É instigante ver dois jovens chefs fazendo um trabalho de criação tão apurado”, diz ela, sobre os cozinheiros da casa, Victor Valadão e Caio Yokohama.
Barú Marisquería: do mar à mesa compartilhada
Escondido dentro da charmosa Villa San Pietro, em uma travessa discreta da Rua Augusta, este pequeno restaurante — reconhecido com o Bib Gourmand — ganhou fama pelo clima despretensioso e pela forma como celebra os frutos do mar. À frente da cozinha está o colombiano Dagoberto Torres, que chegou ainda jovem a São Paulo e, desde então, transformou seu domínio dos ingredientes marinhos em uma assinatura muito própria.O cardápio gira em torno de peixes e mariscos sempre frescos, preparados majoritariamente na grelha, quase como se estivéssemos à beira-mar. Tudo aparece tratado com criatividade, acidez bem calibrada e aquele sabor direto que virou marca do chef. “Um dos melhores lugares para comer frutos do mar de um jeito que me agrada muito: com várias comidinhas no meio da mesa, para compartilhar”, confessa Helena.
Tordesilhas: embaixada da cozinha brasileira
Mara Salles é uma das grandes pioneiras da cozinha brasileira contemporânea e transformou o Tordesilhas — premiado com o Bib Gourmand — numa verdadeira embaixada das culinárias regionais em pleno coração de São Paulo. Ao longo de mais de três décadas de trajetória, a chef construiu um espaço dedicado à valorização dos ingredientes nacionais, apresentando uma viagem saborosa pelo país — sempre guiada por pesquisa, tradição, toques de modernidade e muito afeto.O menu combina pratos individuais e opções para compartilhar, reunindo clássicos da casa que já se tornaram afetivos para várias gerações de comensais. “Sou muito fã da Mara Salles. Admiro todas as ‘personas’ dela: a de pesquisadora, a de cozinheira, a de musa da cozinha brasileira. Um restaurante para ir e voltar sempre”, afirma a chef.
Mocotó: alma sertaneja atualizada
Inaugurado como uma cachaçaria há mais de meio século pelo pernambucano Zé Almeida, o restaurante cresceu sem nunca perder suas raízes. Hoje, com dois espaços reconhecidos com o prêmio Bib Gourmand, quem comanda a cozinha é o consagrado chef Rodrigo Oliveira, quem segue honrando o legado do pai ao apresentar o melhor da culinária sertaneja sob o lema: “feito com os olhos no mundo e os pés fincados no sertão”.O ambiente permanece simples e descontraído, fiel à vocação inclusiva da casa, enquanto o cardápio vai de petiscos e porções emblemáticas aos pratos tradicionais que tornaram o endereço um dos mais queridos da cidade — dos famosos dadinhos de tapioca ao caldo de mocotó que dá nome à casa. “Para mim, o Mocotó é um clássico paulistano, de um amigo e parceiro de trabalho querido. O Rodrigo conseguiu atualizar o restaurante do pai sem tirar a alma sertaneja que faz dele um lugar especial”, afirma Helena Rizzo.
Clandestina: um passeio pelos territórios brasileiros
Reconhecida como uma das maiores pesquisadoras dos biomas e sabores do Brasil, a chef Bel Coelho consolidou seu nome na gastronomia como uma desbravadora incansável da nossa cultura alimentar. No Clandestina — com a distinção Bib Gourmand —, ela aprofunda esse trabalho com ainda mais clareza e identidade.Instalado numa casinha da Vila Madalena, com ambiente rústico e alma de bistrô, o restaurante apresenta uma cozinha brasileira contemporânea com toques internacionais, sempre pautada por ingredientes orgânicos e de pequenos produtores. O cardápio, pensado para ser compartilhado, reúne pratos leves, apresentações cuidadosas e preços acessíveis, reforçando a proposta de uma gastronomia criativa sem perder o vínculo com o território. “Em seu constante trabalho de pesquisa dos biomas brasileiros, a Bel Coelho nos leva a uma viagem por vários territórios brasileiros, em receitas inspiradas e saborosas”, comenta Helena.
De japoneses a padarias: mais endereços queridos por Helena Rizzo
Como boa paulistana de coração — apesar de ter nascido em Porto Alegre —, Helena costuma sair para comer comida japonesa, aproveitando a forte herança nipônica da cidade, que abriga a maior colônia japonesa fora do Japão. “São talvez os três restaurantes a que vou com mais frequência: Izakaya Matsu, Otoshi e Tanuki”, diz a chef, indicando também seus pratos preferidos. “No Otoshi, gosto bastante da língua, um clássico. No Matsu, costumo comer o katsudon. E no Tanuki, como sempre de sushi e sashimi.”Helena também adora padarias — começando pela sua própria. “É a que mais frequento, por motivos óbvios”, ri. “Além disso, estou sempre por perto: é meu lugar de comfort food e preciso acompanhar se tudo está correndo direitinho”, conta. “Vez ou outra vou à Bibla também, que fica bem pertinho de casa, no caminho da escola da minha filha”, diz ela sobre este espaço que mistura livros, café e bolo em um ambiente aconchegante, na Vila Madalena.
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Foto de capa: A chef Helena Rizzo. © Helena Rizzo