A ficha do chef Pedro Coronha demorou um pouco para cair. “Foi só no dia seguinte, quando acordei e vi os dois prêmios na sala de casa, que pensei: ‘é real’. É uma sensação difícil de explicar”, diz ele, ainda retomando o fôlego. Coronha foi agraciado com o Young Chef Award, prêmio com apoio da Mastercard, na cerimônia do Guia MICHELIN Rio de Janeiro & São Paulo 2026, realizada no hotel Copacabana Palace, um ícone da hotelaria carioca, no dia 13 de abril.
“Eu realmente não esperava. Foi uma surpresa muito grande. Acho que, mesmo quando você tem objetivos, até que aconteça, é sempre meio que um flerte; e, quando acontece, você pensa: ‘é real, aconteceu’”, confessa o chef.
Com 29 anos recém-completos, Coronha comanda a cozinha do Koral, restaurante carioca que também foi reconhecido este ano pelo Guia MICHELIN com o Bib Gourmand, distinção que destaca estabelecimentos que oferecem uma excelente relação qualidade/preço. “Nunca imaginei que receberia duas premiações na mesma noite. Isso, para mim, foi algo impactante.”
Uma década entre a exigência e o empreendedorismo
Apesar de jovem, o chef carioca tem uma trajetória que já completa uma década nas cozinhas profissionais. Ele começou na culinária aos 18 anos, sem uma ligação familiar prévia com o setor — entrou quase por acaso, movido por um interesse pela criação. Chegou a iniciar um curso de administração, mas abandonou ainda no início para estudar gastronomia no Rio de Janeiro.Após passagens breves por restaurantes locais, teve o primeiro contato com a alta cozinha no Eleven Rio, sob a liderança do renomado Joachim Koerper. Seguiu depois para Lisboa, onde continuou a trabalhar com o chef, uma experiência que descreve como formativa, sobretudo pelo contato com um padrão de exigência e excelência.
Mais tarde, estagiou em Copenhague, consolidando sua formação internacional. De volta ao Brasil, explorou outros formatos — fez eventos e consultorias —, mas percebeu que seu lugar era um restaurante. Durante a pandemia, desenvolveu seu primeiro projeto próprio, que lançou na reabertura pós-lockdown, no qual permaneceu como chef durante três anos, até decidir abrir o Koral, uma casa que rapidamente ganhou projeção no cenário gastronômico do Rio.
Koral: espaço para 100 pessoas saírem felizes
“É um restaurante com personalidade. Trabalhamos com uma cozinha muito delicada, no processo, no pensamento, no manuseio”, conta o jovem chef. No coração de Ipanema, o Koral tem capacidade para 100 pessoas, acomodadas em um salão aconchegante, com atmosfera moderna, cozinha aberta e um bar logo na entrada, que reforça o espírito acolhedor da casa.Ali, Coronha serve pratos com destaque para peixes e frutos do mar, sem ignorar carnes, massas e vegetais, com um pé no conforto e outro na criatividade e no esmero dos preparos. “Temos muitos lugares e, ainda assim, queremos manter uma comida leve e precisa. Isso é, de certa forma, uma proposta ousada”, acredita.
Para Coronha, a ideia sempre foi oferecer uma relação de custo-benefício muito bem resolvida. “O Bib Gourmand faz sentido porque já trabalhávamos com esse pensamento. É um restaurante descompromissado, onde temos muito cuidado em todos os processos. Queremos que as pessoas saiam muito felizes e satisfeitas”, diz.
Para isso, o chef afirma se dedicar intensamente para manter a qualidade desejada. “Se você quer jogar em alto nível, precisa ir um pouco além. Trabalhar no limite não basta; é preciso querer fazer mais e melhor”, afirma.
Recompensa dupla: combustível para seguir
Talvez justamente por essa vontade constante de se superar, o reconhecimento duplo do Guia MICHELIN teve um sabor ainda mais especial. “A gente está tão imerso no dia a dia — performance, entrega, operação — que, quando vem um reconhecimento desses, ele te tira um pouco do automático”, confessa. “É como um combustível de ‘quero mais’. Mostra que o caminho que você escolheu lá atrás está dando certo.”Coronha afirma, entretanto, que a premiação, mais do que uma conquista final, representa uma trajetória em construção — tanto como chef de cozinha quanto no projeto pessoal que decidiu empreender em 2024, ao abrir o Koral. “Eu não vejo os prêmios como um ponto de chegada, mas como um impulso para continuar”, garante. “Eles não fecham um ciclo do Pedro ou do Koral. Pelo contrário, abrem novos caminhos.”
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Foto de capa: O chef Pedro Coronha, distinguido com o Young Chef Award pelo Guia MICHELIN, na cozinha de seu restaurante Koral. © Koral